MARTHICORA VRYKOLAKA


11/05/2011


 

“A lua, que é a própria imagem do capricho, olhou pela janela enquanto dormias em teu berço, e disse consigo mesma: “Esta criança me agrada.”

E desceu maciamente a sua escada de nuvens, e deslizou sem ruído através das vidraças. E pousou sobre ti com um suave carinho de mãe, e depôs as suas cores em tuas faces. Então, tuas pupilas se tornaram verdes, e tuas faces extraordinariamente pálidas. Foi contemplando essa visitante que os teus olhos se dilataram de modo tão estranho; e ela com tão viva ternura te apertou a garganta que ficaste, para sempre, com o desejo de chorar.

Entretanto, na expansão da sua alegria, a lua invadia todo o quarto, como uma atmosfera fosfórica, como um peixe luminoso; e toda esta luz viva pensava e dizia:

- Tu sofrerás eternamente a influência do meu beijo.

Serás bela à minha maneira. Amarás o que eu amo e o que me ama: a água, as nuvens, o silêncio e a noite; o mar imenso e verde; a água informe e multiforme; o lugar onde
Não estiveres; o amante que não conheceres; as flores monstruosas; os perfumes que fazem delirar; os gatos que desmaiam sobre os pianos e gemem que nem as mulheres, com
Uma doce voz enrouquecida!

“E tu serás amada pelos meus amantes, cortejada pelos meus cortejadores. Serás a rainha dos homens de olhos verdes a quem também estreitei a garganta em minhas
Carícias noturnas; daqueles que amam o mar, o mar imenso, tumultuoso e verde, a água informe e multiforme, o lugar onde não estão, a mulher que não conhecem, as flores sinistras que sugerem incensórios de alguma religião ignota, os perfumes que turbam a vontade, e os animais selvagens e voluptuosos que são os emblemas da sua loucura.

E é por isso, maldita e querida criança mimada, que estou agora prosternado a teus pés, buscando em toda a tua pessoa o reflexo da terrível Divindade, da fatídica madrinha, da ama-de-leite envenenadora de todos os lunáticos."


 

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 03h02
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15/12/2010


Escrito por Marthicora Vrykolaka às 01h45
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03/12/2010


 

"Sabes tu de um poeta enorme,

Que andar não usa

No chão, cuja estranha musa,

Que nunca dorme,


Calça o pé melindroso e leve,

Como uma pluma,

De fôlha e flor, de Sol e neve,

Cristal e espuma;


E mergulha, como Leandro,

A forma rara

No Pó, no Sena, em Guanabara,

E no Escamandro;


Ouve a Tupã, escuta a Momo,

Sem controvérsia,

E tanto adora o estudo, como

Adora a inércia;


Ora do fuste, ora da ogiva

Sair parece;

Ora o Deus do ocidente esquece

Pelo deus Siva;


Gosta do estrépido infinito,

Gosta das longas

Solidões em que se ouve o grito

Das arapongas.


E se ama o rápido besouro,

Que zumbe, zumbe,

E a mariposa que sucumbe

Na flama de ouro.


Vaga-lumes e borboletas

Da cor da chama,

Roxas, brancas, rajadas, pretas,

Não menos ama.


Os hipopótamos tranquilos,

E os elefantes,

E mais os búfalos nadantes,

E os crocodilos,


Como as girafas e as panteras,

Onças, condores,

Tôda a casta de bestas feras

E voadores.


Se não sabes quem êle seja,

Trepa de um salto

Azul acima, onde mais alto

A águia negreja;

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 18h24
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Onde morre o clamor iníquo

Dos violentos;

Onde não chega o riso oblíquo

Dos fraudulentos.

Então olha, de cima pôsto,

Para o oceano;

Verás num longo rosto humano

Teu mesmo rosto;

 

E hás de rir, não do riso antigo,

Potente e largo,

Riso de eterno moço amigo;

Mas de outro amargo,

 

Como o riso de um deus enfermo,

Que se aborrece

Da divindade, e que apetece

Também um têrmo...

 

Os amigos dêle apreciarão os sentidos dêsses versos. O público, em geral, nada tem com um homem que passou pela terra sem os convidar para coisa nenhuma, um forte engenho que apenas soube amar a arte, como tantos cristãos obscuros amaram a Igreja, e amar também aos seus amigos, porque era meigo, generoso e bom.” (Nota do Autor).

 

Machado de Assis - sobre seu amigo Artur de Oliveira, aproveitado aqui como homenagem ao meu amigo Samuel.

 

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 18h23
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30/11/2010


ELEGIAS DE HOLLYWOOD

I

O vilarejo de Hollywood foi

arquitetado de acordo com as

representações

Que aqui se fazem do céu.

Imaginou-se então que Deus,

Precisando de céu e inferno, em vez de

Projetar dois estabelecimentos,

Projetou um único – o céu. Este serve,

Para os despossuídos e malogrados,

De inferno.

 

II

Do mar se erguem torres de petróleo.

Nos desfiladeiros

Jazem os brancos esqueletos dos

garimpeiros de ouro. Seus filhos

Edificaram as fábricas de sonho de

Hollywood.

As quatro cidades

Estão impregnadas do cheiro de óleo

Dos filmes.

 

III

A cidade foi batizada em memória dos

anjos,

Que são encontrados por toda parte.

Recendem a óleo e usam presságios de

ouro

E, com círculos azuis em torno dos

olhos,

Durante toda manhã alimentam os

escrevinhadores em suas piscinas.

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 05h05
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IV

Sob a copa das pimenteiras

Os músicos fazem seu trottoir andando

de par em par

Com os escrevinhadores. Bach

Tem um quarteto de cordas no bolso;

Dante remexe

O traseiro descarnado.

 

V

Os anjos de Los Angeles

Estão cansados de sorrir. À noite,

Desesperados, compram atrás dos

mercados de frutas

Pequenos frascos

Com cheiro de sexo.

 

VI

Os caças da defesa aérea sobrevoam

As quatro cidades mantendo-se em

elevada altitude

A fim de que o fedor da cobiça e da

miséria

Não os empesteie lá em cima.

 

Bertolt Brecht

 Tradução - inédita para o português - de Tercio Redondo, retirada do jornal Traulito - número 2 - julho/agosto de 2010.

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 05h04
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27/09/2010


O PEIXE MORRE PELA BOCAsurpreso


Passando malTUMA MORRE PELO CUJóia


        Rindo a toa  Diabólico  Jóia  Rindo a toa  Diabólico  Jóia  Rindo a toa  Diabólico  Jóia

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 14h28
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07/09/2010


O mundo cria as pessoas amargas para rir de suas angústias

E as doces para rir de suas tragédias

Não envio flores

Penso em enviar bombas

Apodreço em solidariedade ao meio

O desespero é a asa de abutre onde me abrigo

Lamamedoestrondo

Talvez a guerra seja o verdadeiro habitat humano

Monstro cínico, boicotador das pequenas alegrias

 

 


Spadão  

 

             

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 04h06
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03/04/2010


Lista das Preferências de Orge


Alegrias, as não medidas
Peles, as não extorquidas.

Histórias, as ininteligíveis

Conselhos, os inexequíveis.

Solteiras, as jovens

Casadas, as que enganam os homens.

Orgasmos, os não síncronos

Ódios, os recíprocos.

Domicílios, os permanentes

Adeuses, os sub-ardentes.

Artes, as não rentáveis

Professores, os enterráveis.

Prazeres, os que exprimir se podem

Fins, os de segunda ordem.

Inimigos, os sensíveis

Amigos, os incorruptíveis.

Cores, o rubro

Meses, Outubro.

Elementos, o fogo

Deuses, o monstro.

Decadentes, os louvaminheiros

Mensagens, os mensageiros.

Vidas, as lúcidas

Mortes, as súbitas.


Bertold Brecht

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 22h41
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17/12/2009


Feminina

 


Eu queria ser mulher pra me poder estender
Ao lado dos meus amigos, nas banquettes dos cafés.
Eu queria ser mulher para poder estender
Pó de arroz pelo meu rosto, diante de todos, nos cafés.

Eu queria ser mulher pra não ter que pensar na vida
E conhecer muitos velhos a quem pedisse dinheiro -
Eu queria ser mulher para passar o dia inteiro
A falar de modas e a fazer potins - muito entretida.

Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios
E aguçá-los ao espelho, antes de me deitar -
Eu queria ser mulher pra que me fossem bem estes enleios,
Que num homem, francamente, não se podem desculpar.

Eu queria ser mulher para ter muitos amantes
E enganá-los a todos - mesmo ao predilecto -
Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais esbelto,
Com um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes...

Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher pra me poder recusar...


Ah, que te esquecesses sempre das horas
Polindo as unhas -
A impaciente das morbidezas louras
Enquanto ao espelho te compunhas...


A da pulseira duvidosa
A dos anéis de jade e enganos -
A dissoluta, a perigosa
A desvirgada aos sete anos...

O teu passado, sigilo morto,
Tu própria quasi o olvidaras -
Em névoa absorto
Tão espessamente o enredaras.

A vagas horas, no entretanto,
Certo sorriso te assomaria
Que em vez de encanto,
Medo faria.

E em teu pescoço
- Mel e alabastro -
Sombrio punhal deixara rastro
Num traço grosso.

A sonhadora arrependida
De que passados malefícios -
A mentirosa, a embebida
Em mil feitiços




Mário de Sá-Carneiro


Escrito por Marthicora Vrykolaka às 17h47
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25/09/2009


Os Olhos dos Pobres


Ah! você quer saber por que a odeio hoje... Sem dúvida
Lhe será menos fácil compreendê-lo do que a mim
Explicá-lo; pois você é, suponho, o mais belo exemplo de
Impermeabilidade feminina que se possa encontrar.
Havíamos passado juntos um longo dia, que me parecera
Curto. Tínhamos jurado um ao outro que todos os nossos
Pensamentos nos seriam comuns, e nossas duas almas,
Daquele dia em diante, não seriam mais do que uma só:
Sonho que, além de tudo, nada tem de original, a não ser
Que, sonhado por todos os homens, ainda não foi realizado
Por nenhum.
Ao anoitecer, um pouco fatigada, você desejou sentar-se
Diante de um café novo, na esquina de um novo bulevar que,
Ainda cheio de entulho, já ostentava gloriosamente os seus
Esplendores inacabados. O café resplandecia. O próprio gás
Mostrava ali todo o calor de uma estréia, e alumiava com
Todas as forças as paredes de uma brancura cegante, as
Toalhas rutilantes dos espelhos, os ouros dos astrágalos e das
Cornijas, os pajens de faces rechonchudas levados de rastos
Pelos cães atrelados, as damas rindo ao falcão encarapitado
Em seu punho, as ninfas e as deusas trazendo à cabeça frutas,
Pastéis e caças, as Hebes e os Ganimedes apresentando,
De braço estendido, a pequena ânfora de bavaroises ou o
Obelisco bicolor dos sorvetes mistos: toda a história e toda
A mitologia postas a serviço da gula.
Na calçada, diante de nós, víamos plantado um pobre
Homem dos seus quarenta anos, de ar fatigado, barba meio
Grisalha, que segurava por uma das mãos um menino e
Trazia no outro braço um pequenino ser ainda muito frágil,
Incapaz de caminhar. Servindo de ama, fazia os filhos,
Respirarem o ar da noite. Todos em trapos. Eram três fisionomias
Extraordinariamente sérias, e seis olhos que contemplavam
O novo café com admiração igual, mas diversamente
Colorida pela idade.
Os olhos do pai diziam: - "Como é belo! como é belo!
Dir-se-ia que todo o ouro do pobre mundo foi transportado
Para estas paredes." Os olhos do menino: - "Como é belo!
Como é belo! Mas é uma casa onde só podem entrar as pessoas
Que não são como nós." Os olhos do menorzinho, esses,
De tão fascinados, revelavam apenas uma alegria estúpida e
Profunda.
Dizem os cancionistas que o prazer torna a alma boa e
Abranda o coração. Em relação a mim, tinham razão as
Canções, naquela noite. Eu não só me sentia enternecido com
Essa família de olhos, senão também um pouco envergonhado
De nossos copos e nossas garrafas, maiores que a nossa sêde.
Voltava os meus olhares para os seus, querido amor, neles
Procurando ler o meu pensamento; mergulhava nos seus olhos
Tão belos e tão estranhamente doces, nos seus olhos verdes,
Habitados pelo capricho e inspirados pela lua, quando você me disse:
- Que gente insuportável aquela, com uns olhos
Escancarados como portas-cocheiras! Você não poderia pedir
Ao dono do café que os afastasse daqui?
Tanto é difícil entenderem-se as criaturas, meu anjo
querido, e tão incomunicável é o pensamento, mesmo entre
Aqueles que se amam!


Charles Baudelaire 


Tradução de Aurélio Buarque de Holanda

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 17h53
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02/08/2009


Como você não esta fora da lista?


Como você não está fora da lista?

Os homens ligam e me perguntam isto.

Você é realmente Charles Bukowski
O escritor?

Sou escritor de vez em quando, eu digo,
Na maior parte do tempo eu não faço nada.

Escute, eles dizem, eu gosto de suas
Coisas – se importa se eu aparecer ai
Com uma dúzia de latinhas?

Você pode trazê-las, eu digo
Desde que você não entre...

Quando as mulheres ligam, eu digo,
Ó, sim, escrevo, sou escritor
Apenas não estou escrevendo nada neste exato momento.

Me sinto tola ligando para você,
Elas dizem, e fiquei surpresa
De achar você na lista telefônica.

Tenho meus motivos, eu digo,
A propósito, por que você não aparece
Pra tomar uma cerveja?

Você não se importaria?

E elas chegam
Mulheres lindas
Boas de corpo e mente e olho.

Frequentemente não há sexo
Mas estou acostumado
Ainda assim é bom
Bom demais olhar para elas...
E em alguns raros momentos
Tenho uma maré inesperada de sorte
Para variar.

Para um homem de 55 anos que não transou
Até os 23
E não muitas vezes mais ate os 50
Creio que deva continuar listado
Na Pacific Telephone
Até conseguir o mesmo número de mulheres
Que os homens normais conseguiram.

Claro, terei que continuar
Escrevendo poemas imortais
Mas a inspiração está lá.


Dirty Old Man

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 01h38
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09/07/2009


 

 

http://www.amigosearte.com.br/


Entrem lá...Jóia

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 18h57
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09/04/2009


http://www.youtube.com/watch?v=_1xplddbEnY

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 16h12
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10/03/2009


De bicoCom vergonha

Passando malBrincalhão

 

Escrito por Marthicora Vrykolaka às 12h39
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