MARTHICORA VRYKOLAKA - UOL Blog

Os Olhos dos Pobres

Ah! você quer saber por que a odeio hoje...Sem dúvida
Lhe será menos fácil compreendê-lo do que a mim
Explicá-lo; pois você é, suponho, o mais belo exemplo de
Impermeabilidade feminina que se possa encontrar.
Havíamos passado juntos um longo dia, que me parecera
Curto. Tínhamos jurado um ao outro que todos os nossos
Pensamentos nos seriam comuns, e nossas duas almas,
Daquele dia em diante, não seriam mais do que uma só:
Sonho que, além de tudo, nada tem de original, a não ser
Que, sonhado por todos os homens, ainda não foi realizado
Por nenhum.
Ao anoitecer, um pouco fatigada, você desejou sentar-se
Diante de um café novo, na esquina de um novo bulevar que,
Ainda cheio de entulho, já ostentava gloriosamente os seus
Esplendores inacabados. O café resplandecia. O próprio gás
Mostrava ali todo o calor de uma estréia, e alumiava com
Todas as forças as paredes de uma brancura cegante, as
Toalhas rutilantes dos espelhos, os ouros dos astrágalos e das
Cornijas, os pajens de faces rechonchudas levados de rastos
Pelos cães atrelados, as damas rindo ao falcão encarapitado
Em seu punho, as ninfas e as deusas trazendo à cabeça frutas,
Pastéis e caças, as Hebes e os Ganimedes apresentando,
De braço estendido, a pequena ânfora de bavaroises ou o
Obelisco bicolor dos sorvetes mistos: toda a história e toda
A mitologia postas a serviço da gula.
Na calçada, diante de nós, víamos plantado um pobre
Homem dos seus quarenta anos, de ar fatigado, barba meio
Grisalha, que segurava por uma das mãos um menino e
Trazia no outro braço um pequenino ser ainda muito frágil,
Incapaz de caminhar. Servindo de ama, fazia os filhos,
Respirarem o ar da noite. Todos em trapos. Eram três fisionomias
Extraordinariamente sérias, e seis olhos que contemplavam
O novo café com admiração igual, mas diversamente
Colorida pela idade.
Os olhos do pai diziam: - "Como é belo! como é belo!
Dir-se-ia que todo o ouro do pobre mundo foi transportado
Para estas paredes." Os olhos do menino: - "Como é belo!
Como é belo! Mas é uma casa onde só podem entrar as pessoas
Que não são como nós." Os olhos do menorzinho, esses,
De tão fascinados, revelavam apenas uma alegria estúpida e
Profunda.
Dizem os cancionistas que o prazer torna a alma boa e
Abranda o coração. Em relação a mim, tinham razão as
Canções, naquela noite. Eu não só me sentia enternecido com
Essa família de olhos, senão também um pouco envergonhado
De nossos copos e nossas garrafas, maiores que a nossa sêde.
Voltava os meus olhares para os seus, querido amor, neles
Procurando ler o meu pensamento; mergulhava nos seus olhos
Tão belos e tão estranhamente doces, nos seus olhos verdes,
Habitados pelo capricho e inspirados pela lua, quando você me disse:
- Que gente insuportável aquela, com uns olhos
Escancarados como portas-cocheiras! Você não poderia pedir
Ao dono do café que os afastasse daqui?
Tanto é difícil entenderem-se as criaturas, meu anjo
querido, e tão incomunicável é o pensamento, mesmo entre
Aqueles que se amam!

Charles Baudelaire 

Tradução de Aurélio Buarque de Holanda

Como você não esta fora da lista?

Como você não está fora da lista?

Os homens ligam e me perguntam isto.

Você é realmente Charles Bukowski
O escritor?

Sou escritor de vez em quando, eu digo,
Na maior parte do tempo eu não faço nada.

Escute, eles dizem, eu gosto de suas
Coisas – se importa se eu aparecer ai
Com uma dúzia de latinhas?

Você pode trazê-las, eu digo
Desde que você não entre...

Quando as mulheres ligam, eu digo,
Ó, sim, escrevo, sou escritor
Apenas não estou escrevendo nada neste exato momento.

Me sinto tola ligando para você,
Elas dizem, e fiquei surpresa
De achar você na lista telefônica.

Tenho meus motivos, eu digo,
A propósito, por que você não aparece
Pra tomar uma cerveja?

Você não se importaria?

E elas chegam
Mulheres lindas
Boas de corpo e mente e olho.

Frequentemente não há sexo
Mas estou acostumado
Ainda assim é bom
Bom demais olhar para elas...
E em alguns raros momentos
Tenho uma maré inesperada de sorte
Para variar.

Para um homem de 55 anos que não transou
Até os 23
E não muitas vezes mais ate os 50
Creio que deva continuar listado
Na Pacific Telephone
Até conseguir o mesmo número de mulheres
Que os homens normais conseguiram.

Claro, terei que continuar
Escrevendo poemas imortais
Mas a inspiração está lá.
Dirty Old Man

 

 

http://www.amigosearte.com.br/


Entrem lá...Jóia

http://www.youtube.com/watch?v=_1xplddbEnY

De bicoCom vergonha

Passando malBrincalhão

 

Refletindo Sobre o Inferno

"Refletindo, ouço dizer, sobre o inferno
Meu irmão Shelley achou ser ele um lugar
Mais ou menos semelhante a Londres.
Eu Que não vivo em Londres, mas em Los Angeles
Acho, refletindo sobre o inferno,
que ele deve Assemelhar-se mais ainda a Los Angeles.
Também no inferno Existem, não tenho dúvidas, esses jardins luxuriantes
Com as flores grandes como árvores, que naturalmente fenecem
Sem demora, se não são molhadas com água muito cara.
E mercados de frutas Com verdadeiros montes de frutos, no entanto
Sem cheiro nem sabor. E intermináveis filas de carros
Mais leves que suas próprias sombras, mais rápidos
Que pensamentos tolos, automóveis reluzentes, nos quais
Gente rosada, vindo de lugar nenhum, vai a nenhum lugar.
E casas construídas para pessoas felizes, portanto vazias
Mesmo quando habitadas.
Também as casas do inferno não são todas feias
Mas a preocupação de serem lançados na rua
Consome os moradores das mansões não menos que
Os moradores do barracos."

B. Brecht

Sobre o Humor

''É impolido dar-se ares de importancia. É ridículo levar-se a sério. Nao ter humor é nao ter humildade, é nao ter lucidez, é nao ter leveza, é ser demasiado cheio de si, é estar demasiado enganado acerca de si, é ser demasiado severo ou demasiado agressivo, é quase sempre carecer, com isso, de generosidade, de doçura, de misericórdia... O excesso de seriedade, mesmo na virtude, tem algo de suspeito e de inquietante; deve haver alguma ilusao ou fanatismo nisso... É virtude que se acredita e que, por isso, carece de virtude.''

Sponville

                 

http://www.youtube.com/watch?v=TE3IBEIkfFo&NR=1

        

   A-D-O-R-O!!!

 "Satan teve um dia a idea

De casar. Que original:

Queria mulher não feia,

Virgem corpo, alma leal.

Toma um conselho de amigo

 Não te cases, Belzebú;

 Que a mulher, com ser humana,

 É mais fina do que tu.

 

Cortou unhas, cortou rabo,

Cortou as pontas, depois

Sahio o nosso diabo,

Como o heroe dos heroes.

 

Toma um conselho de amigo

Não te cases, Belzebú;

Que a mulher, com ser humana,

É mais fina do que tu.

Casar era a sua dita;

Correo por terra e por mar,

Encontrou mulher bonita.

E tratou de a requestar. 

 

Toma um conselho de amigo

Não te cases, Belzebú;

Que a mulher, com ser humana,

É mais fina do que tu.

 


Elle quis, ella queria.

Poseram mão sobre mão,

E na melhor harmonia, 

Verificou-se a união.

Toma um conselho de amigo

Não te cases, Belzebú;

Que a mulher, com ser humana,

É mais fina do que tu.


Passou-se um anno, e ao diabo

Não se cresceram por fim,

Nem as unhas, nem o rabo...

Mas as pontas, essas sim...

Toma um conselho de amigo

Não te cases, Belzebú;

Que a mulher, com ser humana,

É mais fina do que tu."

             Machadão, o pândego

 

"A vida se expande ou se encolhe de acordo com a nossa coragem."

                                                                           Anaïs Nin

                                                   

"Gosto de ver-te, grave e solitário,
Sob o fundo de esquálida candeia,
Nas mãos a ferramenta de operário,
E na cabeça a coruscante idéia.

E enquanto o pensamento delineia
Uma filosofia, o pão diário
A tua mão a labutar granjeia
E achas na independência o teu salário.

Soem cá fora agitações e lutas,
Sibile o bafo aspérrimo do inverno,
Tu trabalhas, tu pensas, e executas

Sóbrio, tranqüilo, desvelado e terno,
A lei comum, e morres, e transmutas
O suado labor no prêmio eterno."

Espinosa por Machadão

  

"Olha ai...Tuuuuuuudo cagado!!!"

"Em todo homem dorme um profeta, e quando ele acorda há um pouco mais de mal no mundo...
A loucura de pregar está tão enraizada em nós que emerge de profundidades desconhecidas ao instinsto de conservação. Cada um espera seu momento para propor algo: não importa o quê. Tem uma voz: isto basta. Pagamos caro não ser surdos nem mudos...
Dos esfarrapados aos esnobes, todos gastam sua generosidade criminosa, todos distribuem receitas de felicidade, todos querem dirigir os passos de todos: a vida em comum torna-se intolerável e a vida consigo mesmo mais intolerável ainda: quando não se intervém nos assustos dos outros, se está tão inquieto com os próprios que se converte o "eu" em religião ou, apóstolos ás avessas, se o nega: somos vitimas do jogo universal....
A abundancia de soluções paras os aspectos da existência só é igualada por sua futilidade. A História: manufatura de ideais... mitologia lunática, frenesi de hordas e de solitários..., recusa de aceitar a realidade tal qual é, sede mortal de ficções...
A fonte de nossos atos reside em uma propensão incosciente a nos considerar o centro, a razão e o resultado do tempo. Nossos reflexos e nosso orgulho transformam em planeta a parcela de carne e de consciência que somos. Se tivéssemos o justo sentido de nossa posição no mundo, se comparar fosse inseparável de viver, a revelação de nossa ínfima presença nos esmagaria. Mas viver é estar cego em relação às suas próprias dimensões....
Se todos os nossos atos – desde a respiração até a fundação de impérios ou de sistemas metafísicos – derivam de uma ilusão sobre nossa importância, com maior razão ainda o instinto profético. Quem, com a visão exata de sua nulidade, tentaria ser eficaz e erigir-se em salvador?
Nostalgia de um mundo sem “ideal”, de uma agonia sem doutrina, de uma eternidade sem vida... O Paraiso... Mas não poderíamos existir um instante sem enganar-nos: o profeta em cada um de nós é o grão de loucura que nos faz prosperar em nosso vazio.
O homem idealmente lúcido, logo idealmente normal, não deveria ter nenhum recurso além do nada que está nele... Parece que o ouço: “ Livre do fim, de todos os fins, de meus desejos e de minhas amarguras só conservo as fórmulas. Tendo resistido á tentação de concluir, venci o espírito, como venci a vida pelo horror, a buscar-lhe uma solução. O espetáculo do homem – que vomitivo! O amor – um encontro de duas salivas... Todos os sentimentos extraem seu absoluto da miséria das glândulas. Não há nobreza senão na negação da existência, em um sorriso que domina paisagens aniquiladas.

(Outrora tive um “eu”; agora sou apenas um objeto... Empaturro-me de todas as drogas da solidão; as do mundo foram fracas demais para me fazer esquecê-lo. Tendo matado o profeta em mim, como terei ainda lugar entre os homens?)"

                                                                                                                                           Emile Cioran




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